Como acabar com a “Progressão Continuada” e aumentar as aprovações e a educação no Brasil

Os defensores da chamada “Progressão Automática” vem ao longo do tempo usando de diversos sofismas (mentiras com cara de verdades) para defender a ideia de que houve melhoras no ensino após sua implantação, para isso usam números e pesquisas, alguém certa vez disse ” estatística é um meio de mentir com autoridade”. É claro que há casos de sucesso, é claro que alguns alunos se dão bem seja com qual modelo trabalharmos, mas, a experiência prática, a observação diária e as redes sociais demonstram a falácia destes “estudos”. Aliás, com as perguntas certas e a interpretação certa, eu posso provar tanto que “é bom” quanto que “é ruim”.

Não quero com isso desmerecer os processos de pesquisa científica, mas já faz bastante tempo que aprendi que todo estudo e posicionamento é tendencioso, todas as pessoas defendem uma posição e, obviamente, buscam comprovações para ela.

Em minha experiência e observação pessoal, ao interagir com jovens adultos, jovens e crianças, tenho observado uma crescente dificuldade de expressão e entendimento, não é possível aceitar que em idade de ingressar em uma faculdade uma pessoa tenha dificuldade em escrever determinadas palavras, ler e interpretar textos e, ainda, realizar as operações básicas da matemática. E ao final ouvimos que a chamada “Progressão Continuada” é um sucesso. Não o foi na vida destes de quem eu falei e como subproduto, desenvolveu neles a crença de que têm o direito de progredir com um esforço mínimo, de que o progresso está desvinculado do esforço e do mérito pessoal. Isso não é verdade.

Na vida real, tudo é competição, tudo é mérito, tudo depende de esforço e disciplina. Aparentemente, a  progressão continuada desconsidera a educação geral e comportamental que inclui disciplina, sacrifício, esforço e mérito.

Um dos argumentos desta metodologia de ensino (se é que pode se incluir ensino nesta definição) é a evasão escolar. O combate à evasão deve ser muito mais abrangente, deve incluir melhorar as condições econômicas e financeiras das famílias, pela facilitação do empreendedorismo que gera trabalho, empregos e renda, melhoria das leis trabalhistas, ações de incentivo ao estudo e aquisição de conhecimento, melhoria do ambiente escolar, valorização da atividade dos professores, protegendo-os, melhorando seus rendimentos, provendo-lhes ambientes, infraestrutura, preparação, proteção, devolvendo-lhes a autoridade em sala de aula, organizando cursos e currículos com aplicações práticas e, depois de tudo isso, concebendo leis que punem as famílias cujos filhos não estejam em aula.

Quanto às reprovações que, segundo os defensores da chamada progressão continuada, gera desânimo, evasão e outros traumas, tenho dois comentários: 1) A vida é assim e parte do propósito das escolas e da educação é preparar os estudantes para esta realidade. Em uma empresa ou antes, na busca de um emprego, não há progressão automática e não há “hakuna matata” que resolva; 2) Podemos, facilmente, usar as mesmas técnicas utilizadas nos esportes, repetir, repetir, repetir, até fazer certo. Como quando um jovem está treinando arremessos no basquete, ele vai errar muito mais que acertar, mas se ele for suficientemente persistente, chegará o momento em que ele vai acertar mais que errar. Não precisamos esperar um ano ou mais para corrigir cada arremesso, podemos e devemos fazê-lo no mesmo instante.

Lynn G. Robbins contou “em 1970, em meu primeiro ano na BYU, matriculei-me em um curso de fundamentos de física para iniciantes ministrado por Jae Ballif, um professor extraordinário. Após terminar cada módulo do curso, ele aplicava uma prova. Se um aluno tirasse um C e quisesse uma nota maior, o professor Ballif permitia que o aluno fizesse uma prova de recuperação sobre o mesmo material. Se o aluno tirasse um B na segunda tentativa e ainda estivesse insatisfeito, ele poderia fazer a prova uma terceira vez e uma quarta, e assim por diante. Ao me conceder inúmeras segundas chances, ele me ajudou a ter sucesso e finalmente conseguir tirar um A na disciplina.

Professor Jae Ballif
Professor Jae Ballif

Ele era um professor excepcionalmente sábio que inspirou seus alunos a continuar tentando — a considerar o fracasso como um tutor, não uma tragédia, e a não ter medo do fracasso, mas aprender com ele.

Recentemente, telefonei para esse grande homem 47 anos depois de ter feito seu curso de física. Perguntei a ele por que ele estava disposto a permitir tentativas ilimitadas aos alunos para que melhorassem sua nota. Ele respondeu: ‘Queria estar do lado dos alunos’.”

É disso que falamos quando queremos, não apenas motivar os alunos a permanecerem na sala de aula, mas incutir neles o senso de perseverança, de disciplina e de mérito. Com esse tipo de comportamento, professores a alunos ganham, a sociedade constrói um nível mais elevado de ensino e de aprendizado e formamos melhores cidadãos. E, mesmo assim, se algum aluno não quiser ser inserido neste tipo de ensino e optar por notas baixas ou pelo abandono dos estudos, ele será uma exceção e colherá o que plantou, sem sofismas e sem falsas expectativas.

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